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DIA INTERNACIONAL DA JUSTIÇA SOCIAL

Marco Domingues
Assistente Social
Marco Domingues Assistente Social

(Artigo publicado na Folha Aberta nº5)

A comemoração do Dia Mundial da Justiça Social (20 de fevereiro) realiza-se desde 2007, ano em que a ONU “reconheceu a necessidade de consolidar os esforços da comunida-de internacional no domí-nio da erradicação da po-breza e no que se refere a promover o pleno empre-go e o trabalho digno, a igualdade de género e o acesso ao bem-estar social e à justiça para todos”.
Neste dia é comum ouvirmos discursar líderes mundiais e nacionais que apresentam as suas políticas, seus resultados, e as promessas de um futuro promissor. Em simultâneo, são apre-sentados dados alarmantes por Organizações não Governamentais sobre o aumento das desi-gualdades, os crimes contra a humanidade e o risco crescente de colapso da nossa casa co-mum. Sim! Somos também injustos com as futu-ras gerações e com toda a natureza.

Prefiro ser politicamente incorreto, consciente e coerente, a politicamente correto. Vejamos os protocolos sociais, aqueles que nos indicam que as primeiras cadeiras, são para os que ficam “sempre à frente”, aqueles protocolos que nos distinguem pelas relações de poder ou de clas-se sobre outros, vejamos o modelo de educação competitivo que temos, que valoriza o individual em detrimento do coletivo, que nos ensina como viver em comunidade, distante e sem tempo pa-ra ela, vejamos o modelo económico neoliberal que utiliza os recursos do planeta para a satis-fação IN (individual, insustentável e insaciável), vejamos como a tecnologia evoluiu e gera cons-tantemente novas necessidades e desejos de consumo, vejamos como todas e todos nós so-mos parte ativa deste sistema. São necessárias roturas e mudanças de paradigma. Elas passam pela nossa atitude individual e profissional, do EU para com os Outros, todos os seres vivos, e do reforço da nossa atitude coletiva, da coopera-ção do Nós com os outros, contra um sistema que favorece a injustiça e a desigualdade.
Nós assistentes sociais, assumimos a responsabi-lidade de promover a justiça social e a dignidade humana (acrescentaria de todos os seres vivos e recursos naturais “não vivos”); está no nosso ADN sermos ativistas na luta contra as injustiças soci-ais, de procurar eliminar as suas causas e conse-quências, que se refletem principalmente nos gru-pos em maior fragilidade social, com base na sua idade, género, origem, classe social e identidade sexual. Devemos estar atentos, mas também ati-vos, devemos ser a voz coerente e a ação persis-tente, assim,
seremos sempre assistentes sociais a dignificar os princípios da comemoração deste dia!